Someboko Yumeyusai: arte, natureza e inspiração em Arashiyama, Kyoto

Vista privilegiada de dentro do ateliê e galeria do artista Yusai Okuda (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)

Arashiyama, em Kyoto, vai muito além da famosa floresta de bambus. Ocupando uma casa deslumbrante construída há 150 anos, o ateliê e galeria Someboko Yumeyusai, do artista Yusai Okuda, é mais um ponto para visitar na charmosa região cortada pelo rio Katsura.

A mesa com uma fina camada de água reflete a natureza de Arashiyama (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)

Especialista em tingimento de tecidos, Yusai se aprimorou numa técnica pouquíssimo difundida, criada há mais de 1200 anos atrás, em que as cores da vestimenta mudam conforme a intensidade da incidência de luz. Também chamado de “tingimento de sol”, kôrozen é considerado um dos métodos de pigmentação mais nobres do mundo.

A mando do imperador Saga, da Era Heian (794 a 1185), o kôrozen passou a ditar o dress code das cerimônias da corte. Desde então, a técnica foi passada de geração em geração, ficando restrita ao uso de imperadores em ocasiões solenes. 

Partindo do acervo do templo Kôriûji, em Kyoto, que conserva peças históricas, Yusai mergulhou nos estudos sobre a técnica milenar, até que conseguiu reproduzir o korôzen nos dias de hoje. O resultado impressionante de suas pesquisas pode ser conferido na galeria montada em seu estúdio, que abriu as portas ao público em outubro de 2020. Direcionando um feixe de luz sobre kimonos e outros artigos, entendemos o que encantou a antiga realeza do Japão: a coloração muda como se fosse mágica, revelando detalhes que ficam ocultos num ambiente escuro.

Com a técnica de tingimento kôrozen, as cores mudam com a incidência de luz (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)

“A sala do Kawabata”

Só de ter conhecido o trabalho do artista, a visita já teria valido a pena. Agora imagina que o ateliê fica numa casa construída há 150 anos, à beira do rio, com uma das vistas mais privilegiadas da região de Arashiyama. Criando ilusões de ótica com as janelas, algumas superfícies são dispostas propositalmente pelos cômodos para refletir a paisagem do entorno, que muda a cada estação. 

Janelas e vista espelhadas na mesa do ateliê (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)

Somado a isso, a construção, que antigamente operava como um “ryōtei” (um tipo de restaurante refinado), se gaba por ter acolhido um um célebre frequentador. Foi em um de seus cômodos que Yasunari Kawabata escreveu o romance “O Som da Montanha”, de 1954. 

Com o ingresso de 2000 ienes, temos acesso livre ao ateliê e aos demais cômodos da casa, inclusive à sala ocupada pelo primeiro Prêmio Nobel de Literatura no Japão. Por um valor à parte, é possível desfrutar de um matchá preparado na hora, apreciando a vista do rio. E, para quem quiser aprender técnicas de tingimento natural, Yusai Okuda oferece workshops. Só imagino que ele não vá querer revelar o segredo por trás do kôrozen!

Sala do Kawabata (Foto: Piti Koshimura / Peach no Japão)

Anota aí!

Someboko Yumeyusai

Localização: 〒616-8386 Kyoto, Ukyo Ward, Sagakamenoocho, 6 (visualizar mapa)

Site: yusai.kyoto/en/

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