Dicas práticas para planejar sua viagem ao Japão

Vem desbravar Tóquio com as minhas dicas!

Quer tirar do papel a tão sonhada viagem ao Japão, mas não sabe nem por onde começar? Compilei aqui algumas dicas práticas que vão te ajudar nos preparativos!

Passagens e voos

Prepare-se para ficar, pelo menos, cerca de 24 horas dentro do avião, mais umas horinhas no aeroporto para fazer a conexão, já que não existem voos diretos para o Japão. As rotas mais comuns são via Europa, Estados Unidos (requer o visto americano), Emirados Árabes e Qatar. Mas muitas outras rotas são possíveis – vai depender da companhia aérea. Em 2016 e 2017, consegui tarifas excelentes na passagem de ida e volta São Paulo – Narita na Air Canada e na Qatar Airways. Saiu cerca de 800 dólares que, na época, era o equivalente a menos de 3 mil reais. Maravilha, né? Sem essa sorte, diria que um valor médio seria uns 1200 dólares. 

Sobre o tempo de conexão, acho que 3 horas é o ideal para não ter que fazer a troca de aviões correndo. Levem em consideração que, em aeroportos grandes, os terminais podem ser bem distantes uns dos outros. Fora o tempo que se leva para passar pela imigração.

Aeroportos no Japão

Existem dois aeroportos nas proximidades de Tóquio: Narita, a 70km do centro, e Haneda, a cerca de 20km. Ou seja, se chegar por Haneda, o deslocamento até a sua hospedagem vai ser mais rápido e barato. Porém, nem sempre isso é possível pois a maioria das companhias internacionais aterrissam em Narita – o que não é um problema, pois existem muitas formas de chegar à região central da metrópole. Outros aeroportos internacionais do Japão são o de Osaka e o de Nagoia.

Visto de turismo japonês

Brasileiros precisam de visto para visitar o Japão. O bom é que o processo para obtê-lo é muito simples e o documento fica pronto em 2 dias úteis (talvez esse prazo mude, dependendo da época). Todas as informações estão nos sites dos consulados, mas já vou adiantar algumas coisas por aqui.

No site do Consulado de São Paulo, por exemplo, não fica muito claro onde você deve levar a documentação: se no CVJ – Centro de Visto Japonês (na Rua Augusta) ou no próprio consulado (no Top Center, na Av. Paulista). Como na página de Atendimento o CVJ consta em primeiro lugar, muita gente acaba levando a papelada pra lá – como eu mesma já fiz uma vez.

O CVJ funciona como uma agência que intermedia o processo de visto e que presta assessoria em casos que fogem ao padrão. Também funciona como um canal para quem é de fora de São Paulo e não pode ir pessoalmente ao consulado, já que a agência pode receber e despachar todos os documentos via correio. Além da taxa do visto de R$ 97,00 (será reajustado em abril/2020), também é cobrada uma taxa de serviço.

Ou seja, se estiver ao seu alcance, vá direto ao consulado tendo em mãos toda a documentação necessária, incluindo reserva de passagem, declaração de imposto de renda e programação da viagem. Não é preciso levar as reservas de hotéis, basta preencher no formulário onde você pretende se hospedar, mesmo que seja na casa de um amigo ou parente. Preste atenção aos dias e horários de atendimento do consulado, pois, para o pedido de visto, dependendo do Consulado, ele só funciona em alguns dias da semana. O atendimento costuma ser bem rápido, mas a fila, dependendo do dia, pode ser longa. A taxa é paga em dinheiro, no momento da retirada.

Veja aqui a relação de Consulados e escritórios consulares do Japão no Brasil.

Após a emissão do visto, você poderá entrar no Japão em até 3 meses, ou seja, não é possível solicitá-lo com muita antecedência. Como turistas, brasileiros podem ficar lá por até 90 dias.

Aos portadores de passaporte europeu, uma boa notícia: cidadãos da grande maioria dos países da Europa não precisam de visto para entrar no Japão. Veja a relação completa de países isentos aqui: https://www.mofa.go.jp/j_info/visit/visa/short/novisa.html#list 

Melhor época para ir ao Japão

Cada estação vai te mostrar um Japão diferente, tanto no clima, quanto no visual, na culinária, e nas atrações. Eu, particularmente, gosto muito do outono e da primavera por conta da transformação da natureza. 

  • Verão no Japão

O verão japonês é surreal de quente. As temperaturas beiram fácil 40 graus e o nível de umidade é altíssimo! Haja lencinho para enxugar o suor. A sensação é de estar numa sauna constantemente e corre o risco de você não querer sair nunca mais dos ambientes com ar-condicionado. Com tendência a ter pressão baixa, eu sofro um pouco nessa estação. Nessa época, também há riscos de pegar semanas de chuva intensa.

Mas, por outro lado, é uma época em que os matsuri se intensificam. São festivais de rua, geralmente organizados por santuários xintoístas, onde podemos acompanhar procissões, comer muuitos quitutes típicos, ouvir música, assistir danças e ver queimas de fogos chamadas de hanabi

Outro motivo para ir ao Japão durante o verão é poder escalar o o maior ícone do país. A temporada oficial de escalada do Monte Fuji fica aberta somente entre julho a início de setembro, os mais quentes do ano. Fora de época, não é aconselhável se aventurar pela montanha por conta das temperaturas baixíssimas. Se quiser saber as minhas dicas para a escalada, clica aqui

  • Primavera no Japão
Hanami no parque Shinjuku Gyoen, um dos parques mais bonitos de Tóquio

A primavera, como todos sabem, oferece um grande atrativo: o florescimento das cerejeiras, que é realmente muito lindo de acompanhar. Se interessar, escrevi sobre o ritual do hanami (o ato de contemplar flores) neste post e neste post. Mas tem um detalhe sobre esse período: não basta chegar em qualquer momento da primavera que o país inteiro estará florido. A floração das cerejeiras começa no fim de março nas regiões mais quentes, como Tóquio e Kyoto, e vai subindo rumo às áreas mais frias. As árvores ficam floridas por cerca de semanas, não durante toda a estação. Por isso, antes de comprar passagem e de definir o roteiro, é importante conferir o calendário de floração das cerejeiras em sites como o Japan Guide, tendo em mente que ano a ano a florada pode se adiantar ou atrasar… Tudo fica a critério da natureza!

  • Outono no Japão
Trilha de Senjogahara, em Nikko, durante o outono. Que cores são essas? 🙂

É minha estação preferida pois adoro ver a coloração das folhas mudar. É lindo ver tudo em tons de vermelho, amarelo e laranja. Fora que as temperaturas são mais amenas e é possível bater perna e turistar sem sentir nenhum mal-estar. Assim como a floração das cerejeiras, o fenômeno koyo, que pinta o Japão de norte a sul, tem período certo para acontecer. Começa nas regiões mais frias e vai avançando às cidades mais quentes. Em Tóquio e Kyoto, normalmente vemos as folhagens nesses tons de meados de novembro até começo ou meados de dezembro, dependendo do ano.

Atenção: outubro é um mês conhecido pelos tufões, que, dependendo da intensidade, fazem o comércio fechar e nos obrigam a ficar quietinhos em um lugar seguro.  Mas se pegar um dia desses, tenha certeza de que o dia seguinte será um dia lindo, de céu azul, com grandes chances de ver o Monte Fuji, mesmo estando na capital.

  • Inverno no Japão
Iluminação de fim de ano em Enoshima, pertinho de Tóquio

O inverno em Tóquio até que não é tão terrível, com a mínima em torno de zero. Tendo um bom casaco, roupas térmicas, luvas, gorro, cachecol e botas com solado que não escorregue na neve, fica tranquilo de encarar. Se precisar, é só correr para alguma loja da Uniqlo para comprar roupas térmicas, feitas de tecidos inteligentes que aquecem, mas que não pesam. Só preste atenção se tem aquecedor onde você vai se hospedar, já que a maioria das construções não conta com isolamento térmico – a maior queixa dos meus amigos da Suécia, Holanda, Noruega. Eu, como nunca fui acostumada com isso, me contento com aquecedores instalados no quarto.

Os amantes de esportes de neve devem considerar uma passada pela região de Nagano ou Hokkaido, a ilha que fica ao norte do arquipélago japonês. Hokkaido também é conhecido pelo Snow Festival, que rola em Sapporo no mês de fevereiro.

Quem gosta de iluminações natalinas, vai poder curtir o que os japoneses chamam de イルミネーション (lê-se irumineeshon, do inglês illumination). Não vá esperando meras cordas de luzinhas piscando em volta das árvores, pois, nesse quesito, os japoneses não estão pra brincadeira!! Mais informações aqui.

Quando não ir ao Japão?

Evitem ir durante a Golden Week (de 29 de abril a 5 de maio), um dos pouquíssimos feriados prolongados do Japão, em que os locais aproveitam para turistar pelo país inteiro. Tudo fica muito mais cheio e mais caro.

Já no período do ano novo, entre 28 ou 29 de dezembro a mais ou menos 3 de janeiro, o comércio, museus, restaurantes, jardins e outras atrações tendem a fechar. Então verifiquem com antecedência no site de cada lugar para ver se estarão abertos.

O que é o JR Pass?

O JR Pass é um passe de trem da JR – Japan Railways, a maior companhia de trens do Japão. Com ele, você tem acesso ilimitado a viagens em quase todos os trens da companhia (incluindo os trens-bala), alguns ônibus locais e a balsa para Miyajima, que também são operados pela JR. O passe tem a validade de 7, 14 ou 21 dias, contados a partir do dia da primeira viagem.

Detalhe importante: só quem vai com visto de turista pode comprar o JR Pass. Se você vai com visto de estudos, trabalho ou qualquer outro visto especial, infelizmente você não poderá aproveitar esse benefício.

O passe de 7 dias custa 29.110 ienes, aproximadamente USD 290. Pode não parecer uma pechincha (ainda mais se o dólar estiver alto), mas vale muito a pena se você pretende ir de trem de alta velocidade entre uma cidade e outra, pois os bilhetes de shinkansen (trem-bala em japonês) não são baratos. Fazer ida e volta a Kyoto, saindo de Tóquio, custa cerca de 27.600 ienes, quase o valor do passe. Se visitar uma terceira cidade, já está valendo a pena ter em mãos o JR Pass.

Mas isso varia caso a caso, pois, existem outras formas de viajar pelo país, que podem até se tornar mais baratas do que tendo o passe em mãos. Escrevi um post bem detalhado sobre o JR Pass aqui.

Importante: o JR Pass deve ser comprado antecipadamente, antes de chegar no Japão.

Onde se hospedar em Tóquio?

Um fator crucial ao escolher hospedagem é pensar em função dos trens e metrôs, que são as melhores formas de se deslocar pela cidade. É bom verificar quanto tempo leva-se para chegar até a estação mais próxima (até 5 minutos, para os padrões de Tóquio, é maravilhoso), além de checar quantas e quais linhas você terá por perto. A linha de trem Yamanote da JR é a linha circular, que passa por muitos pontos interessantes da cidade. Também recomendo usar a rede de metrô, que é excelente.

Geralmente, quem visita outras cidades além de Tóquio acaba ficando com um tempo limitado na capital. Como a estação de Shinjuku concentra várias linhas importantes, ficar pela região pode parecer muito prático, porém, encarar a maior estação do Japão pode ser um tremendo desafio. Eu prefiro ficar fora do eixo Shinjuku-Shibuya porque depender de uma estação enorme pode fazer a gente perder bastante tempo só tentando achar a plataforma do trem que queremos pegar – isso acontece até mesmo com quem mora na cidade já há um certo tempo.

Para turistas, ficar por Ginza também é bem prático. Outra sugestão é o entorno da estação de metrô Akasaka-Mitsuke, perto de Roppongi. Por essa estação passam duas linhas que levam a diversos pontos turísticos: a Ginza e a Marunouchi. E ali por perto ainda passam outras linhas, como Chiyoda, Hibiya e Oedo. Fica numa área mais central, fácil de ir a Shinjuku ou Shibuya, e também a Asakusa, bairro super tradicional da metrópole.

Para quem quer um clima mais local e tem espírito mais desbravador, recomendo ficar por Kanda.

Gastos diários

Isso é muito relativo, pois depende do estilo de cada um. Tirando a hospedagem, pode variar entre 4 mil (nível ultra econômico) a 10 mil ienes (budget mais confortável), para mais.

Vamos a alguns valores praticados em Tóquio:

  • Almoço em restaurante (lunch menu): ¥1200
  • Café expresso: ¥400
  • Prato pronto em loja de conveniência: ¥500
  • Cerveja em izakaya: ¥500
  • Entradas em museus: de ¥300 a ¥1500 
  • Deslocamentos de trem/metrô: a partir de ¥170

Conversão: é só tirar duas casas para ter uma ideia do valor em dólar

Hospedagem em ryokan: o que é? 

Hospedar-se num ryokan é mais do que aconselhável se você quiser vivenciar uma experiência tipicamente japonesa. Trata-se de um tipo de acomodação que combina elementos bem tradicionais: ficar em quartos com piso de tatami, dormir no futon no chão e não em camas, experimentar refeições servidas de um jeito maravilhoso e preparadas com os ingredientes locais e da estação, além de perambular por todo os recintos do ryokan vestindo uma yukata (um kimono mais levinho). Há muita oferta de ryokan em cidades de águas termais, os chamados onsen, outra experiência típica imperdível! Mais informações sobre onsen aqui. Omotenashi, espírito de hospitalidade dos japoneses, é a palavra de ordem.

Pontos de atenção sobre hospedar-se num ryokan:

  1. Se você tem problema de coluna, dor nas costas ou restrições de mobilidade, dormir em um futon no chão pode não ser a coisa mais confortável do mundo. Alguns ryokans mais modernos oferecem quartos com camas, no estilo ocidental. Pesquisa por “western rooms”.
  2. É importantíssimo respeitar os horários e as regras do ryokan. Os jantares são servidos cedo, geralmente num intervalo entre 17h30 e 19h, dependendo do estabelecimento. O cliente escolhe em qual horário vai querer ser servido e o staff vai tomar todas as providências para que, naquela hora, a refeição esteja pronta para ser degustada. Se o cliente vai dar um rolê pela cidade e se atrasa para o jantar, a comida já não vai estar no melhor estado, pelo menos não para os padrões japoneses de atenção, cuidado e refinamento. São horas de preparo e de dedicação. Então acaba sendo frustrante para o ryokan não poder servir a refeição da forma que havia planejado.
Refeição no estilo kaiseki servida no ryokan onde me hospedei em Kamikochi

Se procura uma orientação mais personalizada, que tal conferir o meu serviço de consultoria de viagem ao Japão? Resolvo dúvidas práticas, analiso seu roteiro e também ofereço um “preparo do olhar”, no qual abordo questões culturais para ir preparando o seu espírito! 😉

Indicação de agência: HIS Brasil

E se estiver procurando onde comprar o JR Pass, alugar o roteador portátil, fazer cotação de hospedagem e comprar ingressos de atrações no Japão, super recomendo o serviço da agência HIS Brasil, que é a representante brasileira da renomada agência japonesa HIS. O melhor de tudo é que eles oferecem desconto a meus leitores em muitos serviços! Para pedir um orçamento, entre em contato via sao-lazer@his-world.com e mencione o blog Peach no Japão 😉

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