O primeiro tremor a gente não esquece

“Terremoto de 6,5 de magnitude atinge Tóquio, mas não causa danos nem alerta de tsunami”

Às 9:18 dessa manhã estávamos sentados na sala de aula quando senti uma vibração perto do meu pé. Olhei pra baixo e pro lado porque achei que fosse o cara do meu lado arrastando a cadeira dele, mas a vibração não parou. Aí me dei conta que o chão todo estava vibrando, até que um menino da minha classe falou: じしん, “dishin”, ou seja, terremoto! (a exclamação é minha :P)

O tremor que sentimos foi leve, já que o epicentro foi a 600km de Tóquio, no Pacífico, mas só de ouvir essa palavra meu coração disparou. Quando a professora se deu conta, ela abriu a porta para confirmar com os funcionários da escola e continuamos sentados, esperando o tremor passar. Levou uns bons segundos. A professora se manteve super calma, o que acabou me tranqüilizando. Mas, se fosse algo mais forte, seguiríamos todo um procedimento que a escola propõe.

Logo nas primeiras semanas de aula tivemos um treinamento caso haja um terremoto grande. Temos que agachar debaixo das mesas e proteger a cabeça com a mochila ou bolsa. Tomar cuidado para não ficar perto de objetos grandes que podem cair, como tv, máquinas de café, estantes, etc. A porta da sala deve ficar aberta, com algum móvel assegurando isso, para que você não fique preso caso a porta emperre. Passado o tremor, todos os alunos, professores e funcionários seguem para uma área de evacuação, que, no nosso caso, é um parque que fica a uns 10 minutos da escola.

A escola, que se chama Kai Japanese Language School (pra quem estiver interessado), é meio mãezona nesse sentido. Temos vários cartões com instruções, que devemos ter sempre no bolso, com números de telefones de emergência, frases traduzidas e procedimentos.

Depois de um terremoto forte, eles pedem para que os alunos liguem ou enviem mensagens via Twitter ou Facebook para avisar como estão.

Fiquei feliz que, logo depois do susto, recebi uma mensagem de uma prima que mora aqui, em uma cidade perto de Tóquio, perguntando se eu estava bem, já que esse tinha sido meu primeiro terremoto. A escola pode ter esse jeito de “mãezona”, mas não substitui família, né?

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Produtora de conteúdo interessada em cultura e artes, juntei meu fascínio pelo país de origem dos meus avós com a minha paixão por compartilhar histórias para criar o Peach no Japão. Aqui vocês encontrarão devaneios sobre cultura japonesa, histórias de viagem e dicas que não estão nos guias ;)

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