Experiência incrível em Tóquio: workshop de washi, o papel japonês

Esse ateliê lindo foi construído pelo próprio sensei! (Foto: Piti Koshimura)

Tá aí uma experiência imperdível no Japão para quem se interessa por artesanato e o mundo de crafts em geral: fazer seu próprio washi. A pouco mais de uma hora do centro de Tóquio, na cidadezinha de Hinode, é possível aprender o passo-a-passo da fabricação do tradicional papel japonês com um especialista no assunto, o senhor Hideki Kunitaka.

Ateliê Hinode Washi, especializado em papel japonês (Foto: Kota Hasegawa)
Esse ateliê lindo foi construído pelo próprio sensei! (Foto: Piti Koshimura)
Kunitaka-san ministra vários tipos de aulas de washi em seu ateliê (Foto: Piti Koshimura)

No ateliê Hinode Washi, à beira de uma estradinha rodeada de muito verde, o sensei oferece workshops em japonês e em inglês, com a ajuda de suportes impressos traduzidos por um cliente estrangeiro. Mesmo que uma palavra ou outra se perca na tradução, a atividade em si é muito mais prática do que teórica – o que é muito gostoso, pois parece até um ato meditativo.

Logo de cara, aprendi que o washi, que é frequentemente chamado de papel de arroz, pode ser feito também a partir da fibra de outras plantas. A que utilizamos no workshop é o kôzo (em japonês こうぞ ou mulberry em inglês), que é da família da amoreira. O caule do kôzo que raspamos foi cultivado ali mesmo, no terreno do sensei.

Tudo pronto para raspar as fibras do caule de kôzo (Foto: Piti Koshimura)

Após a raspagem, a fibra precisa ficar na água por algum tempo para amolecer. Como não há tempo para esperar essa etapa (que leva até algumas semanas) numa aula de 2 horas, Kunitaka-san tira da manga um punhado de fibras já amolecidas para que cada participante possa dar continuidade no ritual.

A água cristalina usada no processo foi tirada de um poço do terreno do próprio ateliê (Foto: Piti Koshimura)

Observando todas as técnicas de arte japonesas, percebo que a origem dos ingredientes e elementos usados no processo é crucial para o resultado final. Acredito que isso tenha muito a ver com o xintoísmo, base espiritual do Japão, que reconhece a divindade dos elementos da natureza e valoriza a importância de todas as etapas de uma cadeia produtiva. Assim como a água dos saquês vem sempre de uma fonte natural puríssima, a água usada na confecção de washi no ateliê do sensei vem do poço que fica em seu terreno. Ali por Hinode, corre um dos afluentes do rio Tama (Tamagawa, em japonês), que garante águas cristalinas no poço de Kunitaka-san.

Do workshop, saímos com o papel ainda umedecido enroladinho em toalhinhas, que devem permanecer assim por uma semana. E ainda ganhamos uma luminária de led fofa e uma folha de washi para decorarmos a luminária.

Ao final do workshop, saímos com os papéis ainda úmidos, enrolados numa toalhinha (Foto: Piti Koshimura)
Lembrança mais do que fofa: uma luminariazinha de led envolta por washi (Foto: Piti Koshimura)

Passado esse tempo de secagem, meus papéis ficaram assim:

Voilà! Meus primeiros washi! Os mais branquinhos ficaram assim porque foi acrescentado um pouco de cândida no processo (Foto: Piti Koshimura)

Ainda tenho muito a aprender, mas fiquei muito feliz com a experiência. Mexer com água e com as fibras de kôzo em silêncio, num estúdio de madeira inteirinho construído por nosso anfitrião, me trouxe uma paz muito grande. Recomendo demais!

Hinode washi
Informações e reserva (em inglês): http://hinodewashi.tokyo/activity_english.html
Mapa: https://goo.gl/maps/HsfVTwcXnfJ2
Estação mais próxima: Musashi Itsukaichi Station (tem serviço de pick up)

Se você está planejando sua viagem pelo Japão e quer mais dicas de experiências e orientações práticas, dá uma olhada no meu serviço de consultoria de viagem😉

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